A baía de Saga vista do céu, com as suas culturas de algas Nori.
A região é emblemática da cultura do nori, alga muito utilizada na cozinha japonesa. Esta região concentra 20% da produção nipónica, ou mesmo 40% incluindo Fukuoka, Kumamoto e Nagasaki.
A cultura das algas nori na baía de Saga
A baía de Saga é rodeada de montanhas cujos aluviões e rios desaguam no mar. A riqueza do aporte mineral gerado deu origem, no início do século XX, à cultura das algas nori.
Esta cultura é um complemento para muitos pescadores e agricultores, pois é sazonal. As algas são semeadas a partir de setembro para uma colheita que decorre de meados de novembro até ao início do mês de março. As colheitas têm lugar com a maré alta, que é a única que permite a recolha das algas. O trabalho dos pescadores exige uma vigilância diária para determinar o momento propício às colheitas.

As algas nori do mar de Ariaké nos seus suportes.
O nori, com um comprimento médio ideal de 25 cm, pode ser colhido até 10 vezes no máximo durante a época, de forma a garantir sabores, aromas e tenrura.
850 pescadores no total partilham os parques de nori da baía de Saga, numa superfície total de 9 300 hectares e cerca de 30 000 concessões. Uma concessão estende-se por 5 filas de 1,50 metros de largura e 36 metros de comprimento.
Os noris são colhidos antes do amanhecer, quando as temperaturas são frescas e se o vento e a ondulação forem favoráveis.
A minha descoberta das concessões de nori
Dirigi-me a estas concessões no mar e pude degustar, diretamente nos suportes, as algas nori frescas.
Que surpresa: uma salinidade muito agradável, leve, de forma alguma agressiva. É a coabitação das correntes de água doce das montanhas vizinhas com as correntes salinas marinhas que confere essas notas características e vegetais ao muito reputado nori de Saga. O sabor é longo, agradável, fresco, com notas de casca de pepino. Pessoalmente, aprecio-o acompanhado de um ponzu leve (molho de soja, vinagre de arroz, sumo de citrino yuzu ou sudachi).
É impressionante constatar com que energia e sucesso os habitantes deste litoral souberam tirar partido da exploração do mar numa zona com uma agricultura igualmente florescente. As águas da baía de Saga abundam também neste peixe surpreendente, o mutsugoro, facilmente reconhecível pelos seus dois membros superiores, que são patas e não barbatanas.
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